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Os programas esportivos precisam de jornalistas ou animadores?

A crônica esportiva peca muitas vezes pelo superficialismo e aí cai no descrédito. O jornalismo-espetáculo que passou a ser muito mais rentável que o analítico domina muitos dos programas esportivos dedicados ao futebol. As previsões sensacionalistas dão muito mais ibope do que análises sérias e aprofundadas. Em 12 de junho o Brasileirão estava na nona rodada, o Palmeiras liderava o campeonato com cinco pontos de vantagem sobre o Santos – a contar com três pontos sub judice em partida contra o Botafogo. Pressionados pelos apresentadores, muitos comentaristas admitiam naquele momento que o título já era do Palmeiras. Sem considerar que cada time haveria ainda de disputar 87 pontos. Ainda que o torneio tivesse 38 rodadas a serem jogadas, que seria interrompido por um mês pela Copa América, com a janela de contratações aberta, com vários dos clubes – inclusive o Palmeiras – disputando mais um ou dois campeonatos paralelos (entre eles a Libertadores, à qual todos priorizam), com...

O primeiro de outros que precisam vir

Cheguei a Curitiba para participar do 1º Congresso Internacional de Voleibol no dia 25. Um dia antes, Marcos Pacheco havia inaugurado o evento passando sua experiência de vários anos à frente de algumas das principais equipes masculinas do vôlei brasileiro e alguns títulos da principal competição nacional interclubes. Bernardinho encerrou o primeiro dia com uma palestra que deveria durar 60 minutos e estendeu-se por duas horas. Fui responsável por mediar as mesas redondas que reuniram, ao final do dia, os convidados da manhã e da tarde. Hoje (28) é meu dia de folga, mas folga não foi uma palavra usual para nenhum dos congressistas durante o evento, tanto que escrevo enquanto Luizomar de Moura discursa na sala de conferência, para encerrar a brilhante iniciativa dos entusiastas e competentes Gérson Amorim e Josmar Coelho. Tanto os quase 150 participantes quanto os convidados estiveram presentes, dispostos e atentos em todos os períodos e todas as atividades, ávidos por conheciment...

Convocação – Voleibol unido pela base

Em abril deste ano veio a ideia de fazer algo pelas categorias de base do voleibol brasileiro. Depois de lançar o livro Voleibol – a excelência na formação integral de atletas , achei que precisava mais que isso. Diante de um quadro que mostra a gradativa diminuição do interesse de crianças em se inscrever em escolinhas e da participação de jovens em equipes de treinamento de alto rendimento, além de uma redução considerável de atletas que cheguem às seleções adultas em condições de se nela se manter, tornou-se urgente, ao menos, discutir o problema. Numa palestra realizada na FMU, em São Paulo, apresentei vários dados que apontam um quadro para o qual os profissionais do voleibol não poderiam fechar os olhos e cruzar os braços. Não são as equipes de ponta que empregam a grande maioria desses profissionais, mas são elas que mantêm a modalidade em destaque e como referência de excelência no esporte nacional. Portanto, é na base que reside o problema e também sua solução, pois é...

Federer e Djokovic – a raça humana agradece

Sou um apaixonado pela raça humana. Talvez, diante das barbaridades perpetradas em sua existência, eu seja, na verdade, um apaixonado pelas potencialidades humanas. Declino-me em reverência quando presencio demonstrações de virtuose como a de ontem (14) protagonizadas pelos tenistas Roger Federer e Novak Djokovic em Wimbledon. Um jogo de quase cinco horas de duração entre dois dos maiores representantes do que o esporte pode proporcionar de melhor em sua essência obrigou-me a me revezar entre tarefas e pequenos prazeres corriqueiros do domingo e a tela da TV. Foram 67 games e três tiebreakers do mais alto nível técnico, da mais equilibrada disputa e daquela que talvez seja a mais cativante das características do esporte competitivo: a imprevisibilidade. Federer esteve claramente perto de conquistar mais um título nas gramas inglesas por duas vezes, uma no quarto set e outra no quinto. Esta última, com duas chances seguidas e com a posse do saque. Bastava pensar que ali estav...

O vôlei brasileiro vai bem (mal), obrigado!

Enquanto a memória do torcedor está fresca do espetáculo proporcionado por FUNVIC/Taubaté e Sesi-SP e por suas torcidas nas finais da Superliga, muita coisa está acontecendo na área de serviço. As seleções se apresentam e os torneios internacionais logo farão com que se esqueça que sem clubes não há seleções nacionais. As estrelas da modalidade, mesmo diante de uma crise (mais uma) que se avizinha em período de renovação de patrocínios, ainda recebem boas propostas para defender os principais clubes brasileiros e, mesmo que estas não lhes sejam razoáveis, têm a possibilidade de migrar para mercados europeus. O problema maior aflige aqueles que compõem os mais de 90% restantes. São os jogadores que se estabelecem entre os medianos, os mais experientes, os novatos em busca de espaço. Estes vivem uma expectativa cruel por chances que talvez nem venham. As equipes da linha de frente acenam com renovações de patrocínio, ainda que com reduções, mas os que ficaram fora das semifinai...

A lei da Escola Acrítica

O nome é puro marketing, a propaganda anuncia uma escola livre do assédio moral e ideológico de uma horda de milhões de professores mal-intencionados. O Projeto de Lei 7.180/14, que se adapta a uma convenção de 1969 (!) e que ficou conhecido como “Escola sem Partido”, em tramitação na Câmara dos Deputados, já foi considerado anticonstitucional pelo Ministério Público, mas resiste e deve ir a votação nos próximos dias. Aproveitando-se da onda de moralismo e a polarização ideológica que pairam sobre o país, deputados da bancada evangélica e de partidos conservadores que comandam a comissão na Câmara querem acelerar a ida do PL ao plenário. Vamos então a aspectos explícitos e implícitos cruciais do texto da proposta, para justificar o repúdio adotado por aqueles que sabem que educação escolar vai além da mera transmissão de conhecimentos. Logo Artigo 2º, o item III determina “não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de man...

Um horizonte democrático para a pesquisa científica

Um tema específico da pesquisa científica vem sendo discutido amplamente nos últimos anos, a publicação. Além da pressão que sofrem os pesquisadores em produzir e publicar artigos regularmente e as consequências psicológicas e éticas desta exigência, a democratização do acesso aos resultados é outro ponto que domina a cena. Ou se quebra o monopólio de exclusividade dos periódicos das grandes editoras ou as pesquisas continuarão restritas aos estritos redutos daqueles que dispõem do acesso disponibilizado a custos exorbitantes. A impossibilidade de acesso mais amplo impede a divulgação e a popularização das descobertas das ciências, porém, o paradoxo maior é que os órgãos financiadores da pesquisa, sejam públicos ou privados, gastam duas vezes: nos créditos destinados aos cientistas e no processo de publicação e divulgação, ao serem obrigados a pagar para publicar e depois ter acesso aos resultados. A Folha de S.Paulo publicou alguns valores cobrados e pagos atualmente neste c...